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Amena Cavaqueira

O Amena não tem o melhor nome para blogue de viagem e lady-gazeta não é o nome de autor mais credível para uma blogosfera de gente séria, mas estamos bem com isso. Somos sempre mais do que bons viajantes e bons nomes.

Amena Cavaqueira

O Amena não tem o melhor nome para blogue de viagem e lady-gazeta não é o nome de autor mais credível para uma blogosfera de gente séria, mas estamos bem com isso. Somos sempre mais do que bons viajantes e bons nomes.

21
Mai18

Em Amena Com... João e Vanessa

lady-gazeta

Ele é de bits e bytes e, agora que escrevo e penso, meu amigo há mais de 10 anos. E ela, bom, ela é a verdadeira corajosa.

Acabaram com as rotinas, com as regras socialmente correctas, com o tem-que-ser imposto por um emprego estável, para abraçar um desafio: conhecer o mundo enquanto trabalham remotamente.

Viveram um ano na Austrália e voltaram recentemente para matar saudades dos seus e relembrar o quão bom também é ser português.  Entretanto partiram novamente. O sol pede mediterrâneo e partiram para a Grécia. Irão viver por lá durante alguns meses. E depois? Depois logo se vê.

Para não ficarem muito vaidosos não lhes digo, mas cá entre nós: admiro-os para xuxu por serem assim, livres. Mais do que isso: admiro-os por arriscarem viver novas culturas e lidarem com o melhor e o pior que outros países oferecem. Não é para todos, amigos.

 

Vamos lê-los?

João Vanessa sentem-se. A casa é vossa.

 

Vamos começar do início. A pergunta básica: por quê Austrália? 

Pela facilidade de obter visto e trabalho, por algumas (boas) referências de amigos e conhecidos, e pela curiosidade por esse país longínquo que quase nunca faz parte dos planos de férias por ser tão difícil lá chegar. 35h de voo? Convém ir um ano para valer a pena!

 

A ideia era conhecer tudo, numa altura em que ainda não tínhamos bem noção da dimensão da coisa . Acabámos por conhecer muito bem Melbourne, que também serviu de base para explorar a Great Ocean Road, dar um saltinho em Adelaide e, como gostamos de Vinho, conhecer as regiões vinícolas de Rutherglen e Beechworth.

 

Depois, fomos para bandas mais solarengas, em Queensland. A caminho fizemos umas mini-férias em Sydney (não podia faltar, claro). Ficámos primeiro na Gold Coast, a um quarteirão da praia, e terminámos em Brisbane. Deu tempo para explorar toda a zona circundante que tanto oferece praias intermináveis (com surfistas intermináveis) como florestas tropicais cheias de wildlife e árvores gigantes! A meio, um saltinho aos trópicos: Whitsunday Islands, onde só se vai à água com um fatinho anti-alforreca.

 

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E o que mais vos surpreendeu?

Acima de tudo, a simpatia e openness dos locais; Australianos e não só, principalmente em Melbourne, que é um melting pot de culturas e nações, onde ninguém se sente a mais.

 

Surpreendeu também o gosto e orgulho por "fazer bem" e apresentar qualidade em tudo. Para quem vem de um país e cultura onde o "desenrasca" serve de recurso demasiado frequente, é refrescante deparar com uma atitude absolutamente contrária.

 

É difícil explicar: são os transportes públicos bem organizados e limpos, as tours turísticas que incluem tudo e mais alguma coisa e ainda perguntam como melhorar a experiência no fim, os cafés e restaurantes excelentes e únicos por todo o lado, as aldeias que à entrada anunciam: "Prémio de Aldeia mais Arrumadinha de 2016".

 

O que mais vos desagradou?

Ser tão longe do resto do mundo! E mesmo lá dentro, é tudo longe de tudo, se não fossem os voos domésticos baratos teríamos passado a vida no carro. 

 

Consideram Austrália ser um bom país para viver?

Sem dúvida. Rapidamente se percebem os consecutivos prémios que Melbourne arrecada de melhor cidade para viver do mundo, mas o resto da Austrália não fica muito aquém. A simpatia do povo, a qualidade dos serviços e transportes, a diversidade de culturas, a abundância de actividades, locais para visitar, o clima… é difícil não gostar. 

 

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É um país caro para viver no dia-a-dia?

Com um ordenado Australiano, não. É tudo mais caro do que em muitos lugares no mundo, mas ganha-se em proporção (talvez um pouco mais, até). Além disso, uma vez que o país é rico e a qualidade de serviços alta, as opções low-cost são melhores e mais variadas do que em países mais baratos. Por exemplo, entradas em museus e edifícios históricos são quase todas grátis.

 

E as saudades? Têm-nas, mas como fazem para ultrapassá-las?

Temos pois! Vamos falando com as pessoas pela internet que, felizmente, facilita muito o problema da distância. Depois, tentamos recriar algumas coisas: houve 3 tentativas, de variado sucesso, de fazer pastéis de nata. Fizemos também bifanas! Por fim, tivemos visitas de amigos e familiares, que ajudaram muito a aguentar as saudades.

 

O que sentiram quando regressaram a Lisboa, sabendo que já não voltariam à Austrália?

A hipótese de voltar à Austrália não está excluída! Pelo contrário, há vontade de visitar o muito que ficou por ver, desde o outback aos Northern Territories e as praias do Oeste! Por isso nunca houve bem a sensação de saber que não íamos voltar.

 

Dito isto, houve emoção ao voltar após um ano. Partilhamos o feeling de ver e experienciar tudo de novo, de vermos e aproveitarmos melhor o que antes estava lá e que dávamos por adquirido: a arquitectura antiga de Lisboa, o sobe e desce das ruas, os pastéis de nata com um café, a gastronomia! E claro, os amigos e família a quem damos um valor redobrado pelo tempo que tivemos afastados.

 

E agora a Grécia? 

Escolhemos a base em Atenas, no fundo gostamos os dois de cidades. Já fizemos umas férias onde demos um saltinho em Creta (zona Oeste apenas, a ilha é enorme), em Mykonos e Santorini. Ainda não temos planos concretos de sítios para visitar, mas a zona sul de Creta é um destino provável (a comida nesta ilha é qualquer coisa), os mosteiros e ruínas no interior da Grécia continental, e umas outras quantas ilhas que ainda não escolhemos: como na Austrália, não vai dar para ver tudo. 

 

Quais as primeiras impressões? Alguma surpresa relativa ao estilo de vida? Alguma situação caricata?

Tem sido peculiar! Sentimos alguma distância dos locais que talvez já andem um pouco fartos de turistas que só vêm cá para ver ruínas e casas lacadas. No entanto, depois de alguma troca de palavras e de puxarmos à simpatia, as coisas aquecem.

Sentimos uma grande hospitalidade tanto em restaurantes como em casas onde temos ficado.

 

Uma surpresa: é comum os restaurantes oferecerem qualquer coisa no final da refeição, seja uma mini sobremesa ou um copinho de aguardente, ou ambos! Já começámos a chamar-lhe o "souvenir" dos restaurantes e a sentir falta nas raras ocasiões em que não há. Depois de algum vinho da casa do bom, houve até quem já tenha perguntado à maître d' se havia souvenir! Tivemos sorte: mousse de limão. Já dizia o meu avô, quem não chora não mama! 

 

Que conselho deixariam a pessoas que, como eu, têm medo de arriscar?

Nunca vão ter tão pouco a arriscar como agora… há que aproveitar enquanto é fácil. 

 

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Obrigada João e Vanessa. É um gosto ter-vos por cá!

 

Espero que tenham gostado tanto de os ler como eu gostei. Aproveitem para acompanhar o Instagram de ambos. É fabuloso! 

 

Aconselho-vos a espreitar e a seguir:

João: https://www.instagram.com/ferreira.rocks/

Vanessa: https://www.instagram.com/twikah/

 

 

Obrigada leitores!

 

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