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Amena Cavaqueira

O Amena não tem o melhor nome para blogue de viagem e lady-gazeta não é o nome de autor mais credível para uma blogosfera de gente séria, mas estamos bem com isso. Somos sempre mais do que bons viajantes e bons nomes.

Amena Cavaqueira

O Amena não tem o melhor nome para blogue de viagem e lady-gazeta não é o nome de autor mais credível para uma blogosfera de gente séria, mas estamos bem com isso. Somos sempre mais do que bons viajantes e bons nomes.

06
Jun18

Faial, Açores

lady-gazeta

Foi, certamente, a viagem que decidi com maior antecedência. Há quem diga que quem planeia com tempo, poupa na carteira. Levanto algumas dúvidas neste tema, mas não discuto ditados populares. 

Hoje tinha planeado falar-vos somente do Faial, mas tenho necessariamente de enquadrar-vos um pouco melhor sobre esta viagem. O objetivo era conhecer o Faial, claro, mas também outras ilhas do grupo central: Pico e São Jorge.

 

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A antecedência na compra dos voos levou-nos a uma poupança comedida, mas também a uma constante alteração de datas e horários, de acordo com ajustes das Companhias Aéreas. Não espantou, não impactou a viagem, mas na realidade, fez-nos fazer algumas manobras na distribuição de dias por ilha.

Antes de mais, garanto-vos: não é uma viagem ao estilo “cidade europeia”, pois requer algum cuidado no que trata de transporte entre ilhas. E não. Não é como aguardar pelo autocarro, nem o comboio que passa de hora-a-hora, mas sim um barco que limita o tempo de visita a cada ilha. Na verdade, disponibilizávamos de 6 dias, de segunda a sábado, para o coração dos Açores. A matemática básica diria 2 dias por ilha seria perfeito, mas quem viaja sabe que o que há para ver em cada local é que define a permanência em cada ilha. Na verdade, e usando a honestidade como escudo, a actualização de horários da Atlanticoline, na véspera de partir, fez-nos ficar pouco mais de 6 horas no Faial. Viajar é isto mesmo, não é verdade? Lidar com imprevistos e angústias momentâneas e apertar com o acelerador por forma a conseguir viver o máximo no mínimo tempo disponível. Serve este parágrafo para justificar o pouco tempo na ilha e não, não desvalorizarem o tamanho físico que a ilha tem.

 

Notas introdutórias feitas, puxem da cadeira e sentem-se. Vamos falar da viagem ao Faial.

 

Os voos foram comprados com origem em Lisboa e com destino ao Pico. É uma viagem rápida, cerca de 2 horas. O voo não estava cheio e foi a SATA que nos levou até lá. Sem atrasos e sem sobressaltos. Assim que aterramos no Pico urge silêncio. O tapete que nos devolve as malas não reflectia nem metade do agito que levávamos na bagagem. O aeroporto do Pico é um aeroporto pequeno e não faz as hostes da casa.

 

Assim que saímos, nada muda, a não ser o pico. Sim, o pico do Pico: a montanha mais badalada do país, deslumbrante e soberba. Mas não ficaríamos, para já, por ali e guardo estas descrições para mais tarde. O destino, assim que aterrámos, era a ilha do Faial. Há táxis na saída do aeroporto que nos levariam até ao Porto de Madalena, onde podíamos embarcar, em direcção à Horta. Taxista foi simpático, acolhedor e falador. Os açorianos ainda não se irritaram com o turismo e a hospitalidade é a palavra de ordem em todas as ilhas visitadas. O Porto de Madalena é pequeno e acessível. Fica mesmo no coração da vila e, notem, 20 minutos antes de embarcar é o tempo suficiente para efectuar o checkin, (nesta época, claro).

 

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Portanto, a sensação de tranquilidade mantém-se. O cenário muda quando o barco sai do porto. A viagem entre o Pico e o Faial é atribulada: o mar estava batido e o tempo pouco simpático. Não havia baleia que nos quisesse dar as boas-vindas. Sem enjoos, ainda assim.

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Para o Faial levávamos um plano quase naziIstoisto e depois aquilo. Faltou, realmente, definir horas. Mas não somos de horas. Azar o nosso. Assim que recebemos o carro e fomos almoçar ao Genuíno e percebe-se rapidamente que 6 horas jamais seria um objectivo tangível para se conhecer o Faial. O restaurante fica na baía de Porto Pim, que por si só nos agarra à vista que tem. E o restaurante tão recomendado tem razão de o ser: comida deliciosa, vista deliciosa. E sobremesas? Para também ser deliciosa recomendo uma conversa com o senhor Genuíno, velejador de duas voltas ao mundo, sozinho. A decoração do restaurante reflecte todos as lembranças que trouxe dos 4 cantos do mundo. A simpatia e a honestidade com que falou das duas aventuras, fez-me querer ficar ali, a ouvi-lo, como se estivesse a assistir, ao vivo, a um dos relatos de Sexta-Feira e a Vida Selvagem.

 

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E nisto, o plano derrapou. Pé no estribo com destino à Caldeira, no centro da ilha. O nevoeiro não baixou e as expectativas também não. Assim que chegámos, a vista tira-nos o fôlego. Verde, tudo verde. As fotografias não deixam mentir.

 

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E depois, depois o Vulcão dos Capelinhos. Tornou a ilha maior e, cá entre nós, senti-a crescer ainda mais quando as horas para o barco começaram a reduzir descompassadamente.

 

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Continuámos, a galope, na nossa TO-DO list. Parávamos em miradouros, para a foto rápida, sem grandes técnicas. Agora que olhamos: não precisam sequer de retoques. Fotos que parecem quadros. Abençoadas vistas.

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A Vila da Horta é enternecedora. É indispensável uma passagem rápida no Peters. O turista ocupa todas as mesas do café – é, sem dúvida, uma ilha viva. E o porto, um dos maiores do nosso país, está repleto de veleiros e velejadores. Todos eles, dizem, deixam uma marca no muro do porto. Como não gostar? Como não querer ficar mais?

 

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O nordeste da ilha foi-nos quase que omitido. Uma falha, diz certamente quem lá vive. Tranquilizem-se faialenses: sou das que volta aos locais onde fui feliz.

Às 19h já o barco emitia o sinal sonoro de partida. A alma estava apaixonada, mas o mapa não estava checked. Acontece a todos, não é verdade? Mas trouxe a conversa com o Genuíno. Valerá por quantas paisagens?

 

Posteriormente, deixo-vos um roteiro, mais referências, outros conselhos, como sempre.

Sim, vocês já me começam a conhecer: jamais conseguiria partilhar um plano sem uma demonstração de afecto por um destino que me foi tão querido, por mais curto que o encontro tenha sido.

 

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Próxima paragem? São Jorge. Fiquem por aí. 

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