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Amena Cavaqueira

O Amena não tem o melhor nome para blogue de viagem e lady-gazeta não é o nome de autor mais credível para uma blogosfera de gente séria, mas estamos bem com isso. Somos sempre mais do que bons viajantes e bons nomes.

Amena Cavaqueira

O Amena não tem o melhor nome para blogue de viagem e lady-gazeta não é o nome de autor mais credível para uma blogosfera de gente séria, mas estamos bem com isso. Somos sempre mais do que bons viajantes e bons nomes.

10
Nov17

Web Summit...ting!

lady-gazeta

Dizem que é a maior feira de tecnologia da Europa e também do mundo. Eu, que nunca me vi em andanças tão grandiosas e com um impacto mundial tão avassalador, não posso discordar.

 

Certo é, admito, que fui assídua em feiras de tecnologia na faculdade e, inclusivamente, fiz parte da organização de uma delas, no último ano em que estudei no Técnico (vejam, vejam a SINFO!). Como devem imaginar, terei sempre um carinho muito grande por quem se envolve neste tipo de eventos.

Abro um bocadinho do meu lado tão sério quanto lunático e, admito, o meu interesse pela tecnologia é inegável. Sou, como já vos disse, programadora. Estou ligada ao mundo Microsoft desde que entrei no mundo de gente crescida e, por isso, C# faz parte do ritual diário.

Se eram motivos mais do que suficientes para ir a um evento como este? Talvez não. Trabalhar em tecnologia, como dizem, dá guito, mas não guito que torne comportável um bilhete para cima dos 3 dígitos. Mas por alinhamento dos chackras a oportunidade sucedeu-se e eu fiz a dança da chuva.

Em primeira mão vos garanto: é muito redutor dizer que o Web Summit é evento de gente nerd, de TI's, de developers. Esqueçam essa ideia. Por lá (e por mim) passaram farmacêuticos, bloggers, gentes de marketing, de economia, recursos humanos e, quiçá, o CEO da padaria da esquina. Todos, no fundo, tencionam conhecer e discutir o que há neste mundo do IT e em que medida o negócio pode ficar mais optimizado com uma app, um robot ou qualquer mambo que faça cenas.  A miscelânea de produtos apresentada é para lá de arrebatadora. Tão arrebatadora que me fez sair do recinto da feira com o sentimento "não vi metade do que pretendia". E não foi só sentimento; não vi mesmo!

Conferencias interessantes sobrepostas ou quase sobrepostas (dada a distância física que as separa) deixou-me um sentimento de "Como não há uma startup que me permita estar em dois espaços físicos distintos ao mesmo tempo?". Pois, frustração à parte, do que ouvi, gostei muito.

E os temas, perguntam vocês? Os mais diversos!

 

Alertam, sobretudo, para o tema que mais assusta a sociedade: o fim de muitos postos de trabalho. A evolução terá que ser sustentável, diz quem sabe e trabalha. Para quem lidera empresas, time is money... mas pessoas também são money. Estou certa que vamos começar a entrar numa (r)evolução muito para lá da Revolução Industrial. A Sofia (robot!) diz que trabalho é aborrecido, mas não ter o pão na mesa na casa de muitas famílias tornar-se-à muito mais aborrecido. Digo eu, que ainda estou nos 20's

 

Há também um profundo alerta sobre o início de guerras a partir da WWW: sejam mails; chats; sinais nas redes sociais. O que no fundo pretendiam dizer era: vamos começar a invadir a privacidade com o vosso consentimento. Aqui entre nós, sabemos que vamos começar a dar a chave da porta da nossa casa. Os algoritmos começam a ser cada vez mais sofisticados e o machine learning passa a ser o chavão da big data. No fundo, tentam perceber as linhas do nosso pensamento, através de comportamentos online, e replicam comportamentos com humanoides robustos, que saem à noite e bebem copos com a malta.  Não é só ser fun e fazer networking malta; o que pretendem é fazer um estudo comportamental, psicológico dos jovens de hoje  (ar de *conspiração*). Sempre disse que a malta de psicologia faz voodoo.

 

As minorias no IT foi tema social e de preocupação. O que queriam dizer é que nós, miúdas e mulheres, somos poucas nesta área. Uma rapariga que programa ainda é uma situação pontual e anormal. O número de mulheres no IT ainda arrepia muita feminista. O desequilíbrio entre géneros preocupa, sobretudo, quem gere pessoas. Eu fico mais preocupada com a falta de harmonia das equipas na empresa. Não adianta serem 5H/5M, onde as 5M não gostam do que fazem e por isso vão infernizar vidas alheias. 5H/1M para mim está perfeito se este número revelar 6 pessoas felizes e que, por isso, produzem mais e melhor.

 

A sustentabilidade é o tema que mereceu o maior destaque do evento. Foram dezenas de startups que apresentaram projectos de sustentabilidade e, a meu ver, um dos ramos que carece maior de maior investimento. Al Gore estremece o Summit. E nós, informáticos, jornalistas, carpinteiros, pedreiros, domésticos, pessoas que no fundo contribuiram para a degradação ambiental, somos também responsáveis por apresentar alternativas diárias por forma a gerir melhor os recursos do planeta. Isto porque, como se sabe, as consequências negativas assolam-nos com uma velocidade muito superior do que alguma vez prevíamos.

 

As conferencias também estão no youtube, é certo, mas participar num evento e conhecer dezenas de projectos tão sonhadores como promissores é uma experiência inesquecível.

Depois de um Web Summit não desenvolvo programas com algoritmia de ponta, admito, mas estou mais informada e apta durante a discussão de diversos temas que gosto. É um evento muito caro, que está longe de ser democrático, e que devia ter uma duração maior, distribuindo as talks de forma mais espaçada, por exemplo (fica a dica ). Agora, aqui entre nós, continuo sem compreender o que mais de 60% da plateia faz agarrada ao telemóvel, a fazer vídeos, fotos, selfies e postar no Facebook, Instagram, etc, durante todo o tempo de conferência. Nós, no geral, continuamos a ser seres muito estranhos.  ehehehe (Ainda acham que vai ser trivial replicar comportamentos humanos )

 

Fora de brincadeiras, companheiros, valeu muito a pena. Este blog começou por ser um mambo de posts rápidos e, neste momento, já quase que faço frente ao mais longo dos romances... e fica sempre tanto para vos contar!

 

Bem-haja, amigos!

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