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Amena Cavaqueira

O Amena não tem o melhor nome para blogue de viagem e lady-gazeta não é o nome de autor mais credível para uma blogosfera de gente séria, mas estamos bem com isso. Somos sempre mais do que bons viajantes e bons nomes.

Amena Cavaqueira

O Amena não tem o melhor nome para blogue de viagem e lady-gazeta não é o nome de autor mais credível para uma blogosfera de gente séria, mas estamos bem com isso. Somos sempre mais do que bons viajantes e bons nomes.

16
Set18

Aldeia Típica de José Franco

lady-gazeta

Senhores passageiros, o voo tem curta duração, mas promete magia.

Tem miúdos? Gostava de levar os seus pais a passear? Ou gosta simplesmente de conhecer?

 

Espectáculo. 

Sente-se que a dica de hoje é para si. 

 

Entre Mafra e a Ericeira, em Sobreiro, fica a aldeia mais ternurenta de todas as aldeias: a Aldeia de José Franco.

Assim que entramos somos bem recebidos pela brancura da cal bem aperaltada e pelo cheiro a pão com chouriço. Estamos inegavelmente na região saloia. 

 

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A aldeia fica abeirada da estrada nacional que me levava vezes sem fim ao sol envergonhado da Ericeira. Hoje foi mais um desses dias. Procurávamos praia, mas acabámos por encontrar um nevoeiro de oeste muito pouco surpreendente. Mas, sendo uma praia de infância, ganhei-lhe estima e um hábito domingueiro. 

 

Hoje, de regresso, movidos pela falta de sol e marasmo de um domingo de descanso, o trajecto pela nacional levou-nos a uma paragem para recordar a Aldeia de José Franco. Possivelmente a última vez que nos vimos foi há 20 anos. Poucas memórias, portanto. E lá parámos, para ver como estava tudo.

 

E estava tudo óptimo (tanto que vos escrevo, aqui). Como é a aldeia-museu de José Franco?

É precisamente uma aldeia em pequena escala. Cada casa representa os pontos principais de convívio e de comércio que uma aldeia supõe: a igreja, a mercearia, o café da esquina, a padaria, a loja, a casa da música, o relojoeiro, etc. No fundo da aldeia temos, como não podia deixar de ser, um coreto, uma bomba de água e, não fossemos nós estarmos ali, perto de Mafra, um moinho. Dentro de cada casa existem todos os decorativos alusivos às lides típicas de uma aldeia: a casa da música com acórdeão e dezenas de outros instrumentos, a mercearia com balança, com a faca do bacalhau e as vendas a vulso, a padaria com forno. E tantas outras coisas que, por ser uma realidade ainda tão viva para mim, comove-se a minha alma ao lembrar-se de tanta brincadeira no meio de todos aqueles pertences. 

 

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No centro da aldeia, está o exlíbris de José Franco. 

Casas meticulosamente bem-feitas, detalhadas e com um efeito presépio que me fez afirmar: a aldeia mais ternurenta de todas as aldeias.

 

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Em algumas das casas, como a casa da música, a igreja, etc têm também miniaturas vivas do local que representam.

Há luzes, água que corre no rio, e pessoas em movimento, fazendo-nos sonhar e acreditar que somos parte da história.

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Enquanto que para mim e para o A foi reviver tempos que no fundo não são assim tão antigos, acredito que para muitos é aprender realidades do passado. Uma preciosidade, portanto.  Especialmente uma preciosidade tão bem conservada há tantos, tantos anos.

 

Para miúdos e graúdos, é um passeio que vale a pena. E se forem ao Domingo, pode ser que nos encontremos para um Ouriço na Ericeira.  Ou fiquemo-nos somente na Aldeia, a comer um pão com chouriço bem quentinho.

 

Mapa:

 

 

 

13
Set18

Golfinhos no Estuário do Sado

lady-gazeta

Enquanto procurava as fotografias do Open House do ano passado, deparei-me com um outro álbum com uma data muito próxima e acabei por me entreter. Quem nunca, não é verdade? 

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 Lady-Gazeta a bordo

 

Bom, entrei no álbum e recordei quão bom tinha sido o fim-de-semana em que eu e o A resolvemos visitar os golfinhos no Estuário do Sado. Na realidade não resolvemos. Foi uma surpresa entre nós, num voucher, e resolvemos usufruir mais-ou-menos nesta altura. 

A experiência, recordo-me, foi um encanto.

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 Veleiro durante a despedida, em Troia

 

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 Estuário Patriota :)

 

Primeiro, aproveitámos para visitar familiares em Setúbal e, mais tarde, junto ao Cais de Embarque em Setúbal, na Doca das Fontainhas, aguardámos pelo prometido Veleiro. A expectativa era alta, já que o plano de fundo é a nossa maravilhosa Serra da Arrábida, que nunca compromete. A viagem decorreu sem grandes sobressaltos, a vista é assim para lá de bonitona, os golfinhos apresentam uma simpatia quase enigmática a quem lhes vai invadir a casa assim, sem mais nem menos (havia de ser comigo, havia.

No fim, os nossos olhos desintoxicam do agito diário. Uma mais valia. :)  O passeio teve a duração de 3 horas e aproveitámos a luz de final de dia para umas fotos para o Facebook, para o Instagram, para dar à avó e à tia.

 

Estou a brinnnncarrrr! eheheh

Novamente, estavamos mais preocupados em aproveitar a coisa do que fazer a reportagem National Geographic. Bom, prometemos voltar para trabalhar a sério também nesta parte das fotos.

 

Por fim, e resumidamente, uma ternura para miúdos e graúdos e que recomendo vivamente para um plano de final de dia, ao fim-de-semana. A bordo haviam bebidas e algum/pouco petisco, portanto não precisam de levar um picnic. 

Apesar da organização ter deixado muito a desejar (e por isso prefiro não deixar a empresa em quem confiámos para o passeio), concordámos que é um excelente plano, especialmente para quem tem crianças. 

De regresso, como o Veleiro atracou temporariamente em Troia e nós aproveitámos para desembarcar para um fim de dia magnata por lá (a garantia de regresso é dada pelo Ferry entre Setúbal e Troia de hora-a-hora!).

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 Golfinhos, no Estuário do Sado

 

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Pôr-do-Sol em Troia 

 

Posto isto, fica a dica, companheiros de Amena! Aproveitem-na! 

 

 

12
Set18

Vamos falar sobre o Open House?

lady-gazeta

Vamos sim!

Antes de mais, como surgiu o Open House?

Bom, o Open House apareceu quando a S, minha amiga, falava deste evento anualmente. Coisas de arquitectos, pensava.

Depois, o P, que trabalha comigo, falava recorrentemente do tema, também todos os anos. A diferença entre eles? Enquanto que a S é arquitecta e o P é informático. Ambos falavam efusivamente no tema. 

 

E tinham razão para tal. Eu desconhecia o evento, até me perceber que o Open House, embora muito direccionado para Arquitectos ou amantes de Arquitectura, é um evento que nos dá a conhecer muito dos edifícios, casas, monumentos que temos aqui tão perto, em Lisboa.

 

Este ano, o evento está quase a decorrer em Lisboa (22 e 23 de Setembro) e, portanto, apressem-se! 

https://www.trienaldelisboa.com/ohl

Nortenhos, meus queridos, no Porto também existe este Open House, mas em datas distintas (este ano já decorreu https://2018.openhouseporto.com/).

 

Aproveito também para vos contar a minha experência do ano passado na expectativa que vos sirva também de inspiração!

 

O ano passado o Open House deu-nos a possibilidade de conhecer o Hotel Ritz (dos quartos à sala de jantar, não esquecendo do terraço), o Museu do Azulejo, o Museu do Dinheiro, o Museu da Imprensa Nacional, o Reservatório da Mãe de Água... tivemos a possibilidade de conhecer as entranhas do Aeroporto de Lisboa! E, companheiros de viagem, foi o êxtase!

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 Escadaria Ritz

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Museu do Azulejo

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Museu do Azulejo

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Vista do Ritz

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 Vista do Ritz

 

Foi um privilégio, portanto! Para mim conhecer a forma como o aeroporto se articula foi absolutamente fantástico. Quando estamos a viajar perdemos completamente a noção de como tudo, tudo tem que estar coordenado para que o fluxo de passageiros no aeroporto não pare. Ganhei o maior respeito relativamente à infra-estrutura que está por detrás da nossa bagagem de porão. Temos dos sistemas de tapetes mais evoluídos do mundo. Atrás dos balcões de check-in está uma esparguete enorme de tapetes rolantes que levam a nossa mala ao avião destino. Perder a mala, ao contrário do que muitos pensam, não é resultado de um simples descuido de uma companhia aérea, mas sim de uma falha quase algorítmica no tapete de distribuição de malas num aeroporto. 

As luzes de pista não servem apenas para iluminar um trajecto de um avião. As luzes permitem a indicação correcta da pista de descolagem ou aterragem. Uma falha simples no sistema de luzes pode ser uma falha dramática a nível de acidentes de aviação. Tudo é de uma responsabilidade quase clínica e, por isso, tenho o maior dos respeitos por quem faz a máquina Aeroporto funcionar correctamente. Foi uma visita de 3 horas muito enriquecedora e muito bem organizada.

Agora, de verdade, não tenho fotos desta vista. Fomos completamente interditos de fotos, por questões de segurança. E nós cumprimos. :) Serviu também para realmente aproveitarmos todos os detalhes da longa conversa com quem nos fez a visita guiada.

 

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 Avião TAP

 

Este ano, a lista de locais a visitar é bem distinta mas, estou certa, que valem a pena. 

Podem consultá-los no site oficial https://www.trienaldelisboa.com/ohl/espacos/. Desta vez não nos vamos cruzar por aí, porque vamos estar em périplo pela Europa (saberão mais tarde o destino). Mas quanto a vocês, se gostam de conhecer e não gostam de gastar um rim a visitar museus, devem realmente aproveitar para conhecer o melhor da nossa capital. 

Deixo-vos, contudo, uma nota: devem planear com antecedência estes dois dias (22 e 23 de Setembro). Há, inclusivamente, alguns espaços onde é necessário uma inscrição prévia. E atenção: sejam expeditos que as vagas, por vezes, esgotam em minutos!

 

Divirtam-se!

 

08
Set18

Algarve, sempre Algarve

lady-gazeta

Vai já para a banheira, estás cheia de areia!

Foi e é assim há anos. Não sou algarvia, como já vos contei. Sou ribatejana, mas durante estes meses (de Junho a Setembro), a família Amena peregrina até ao Algarve e acabamos por nos tornar, como diz o A, alentejanos sem travões. 

 

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Sim, é verdade, é verdade. Apregoei um blogue de viagens, com alguns destinos até exóticos e depois… Depois chega-se o Agosto e não vos surpreendo: sou exactamente igual à grande maioria da população portuguesa que ruma até Sul. Portanto, perdoem a Lady-G, mas verão sem Algarve não é verão. Foi sempre outono ou inverno durante todo o ano. Uma tristeza, portanto.

Lamento defraudar as vossas expectativas, mas sabem o que intimamente penso? Temos tantos outros meses para aproveitar todos os outros locais do mundo. Melhor ainda, Agosto é época alta por toda a Europa e em grande parte do mundo; as viagens são, portanto, mais caras, e os alojamentos também. E, desta forma, acabamos por investir em viagens quando também há menos turismo. É um dois em um. Claro que esta escolha também implica conhecer muitas cidades sob tempo mais chuvoso mas, na maioria das vezes, admito, compensa.

 

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Recentemente recebi um outro comentários de seguidores mais incrédulos com esta escolha, no Instagram, quando partilhámos algumas fotos referentes ao Algarve em Agosto.

Por quê o Algarve, Lady-Gazeta? Está apinhado de gente!

 

Bom, por diversas razões.

Porque há sol (sempre ou quase sempre durante os dias de verão).

Porque temos praias, mesmo apinhadas, bem bonitas.

Porque é um ritual que dura para lá de 20 anos.

Porque são férias em família.

Porque são férias com as melhores memórias desde miúda.

Porque o peixe, lá, em férias, sabe melhor.

Porque a fruta sabe sempre bem, mas as laranjas. As laranjas são nectar dos deuses, não fossem elas de lá.

Porque aquele ritual casa-praia-casa-praia e, a meio caminho uma grande sesta, permitem fugir da outra rotina casa-trabalho-casa. (E por vezes é essencial para dar descanso à mente.)

Porque o pôr-do-sol é sempre mais bonito lá.

Porque…

 

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Tantas razões, como podem ler! Os mais céticos dirão: também podes fazer isso cá, em Lisboa, na Costa Alentejana, nas praias fluviais, etc.

Rapidamente vos respondo: posso sim, mas não é a mesma coisa.

Mesmo com a praia apinhada de gentes.

Mesmo com um engarrafamento nas ruas de Armação durante as noites quentes.

 

 

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Nem tudo tem que ser lógico, para ser perfeito. Lamento. Há amores assim, como sabem.

NY é uma cidade de arranha-céus, muita gente em todo o lado e não é por isso que não a adoro! Eu e centenas de pessoas, na verdade!

 

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Posto isto, Armação tem um calçadão bonito ao longo de toda a orla, tem o Rocha da Palha – bar da praia ou o Gato Lambareiro, tem piscinas naturais, entre rochas, que encantam e fazem o encanto dos mais novos, tem pouco vento – dado que as rochas protegem os veraneantes de ventanias, tem os melhores gelados do Pai Pinguim e, inevitavelmente, as melhores bolas de Berlim. Tem, relativamente perto, uma das praias mais badaladas com menos multidão, a praia dos Salgados ou a Praia Grande.

Tem coisas boas, não tem?

 

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Posto isto, não vos aconselho. Não vão. A sério.

Está lotada.

 

E eu só vim aqui admitir que sou muito pouco influencer e muito como a maioria de vós. 

 

E agora, adeus, que vou ali dar um mergulho.

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19
Ago18

A história do Amena

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Como a boa disposição sempre fez parte da minha personalidade e o facto de ter amigos que me acompanham, o blogue surgiu numa Amena Cavaqueira (daí o nome!). Tendo em conta que sempre nos encontrávamos no final do dia, à mesma hora, para um café, surgiu o pseudónimo com que assino os meus textos, a Lady-Gazeta. E foi assim que surgiram os nomes! E o resto? O resto foi fácil: como sempre gostei de escrever (e de ler), criar um blogue foi, para mim, uma excelente oportunidade para expressar opiniões sobre muito do que se passava à minha volta e, por isso, comecei a dar-lhe vida com assuntos diários, não vocacionados a um tema em particular.

 

No entanto, o tempo foi passando e, inegavelmente, o tema viagens era um dos temas mais recorrentes aqui no Amena. Costumo afirmar que o blogue escolheu o seu próprio caminho, sem qualquer influência da autora . Certo é que agora só falamos de fazer e desfazer malas por aqui e é pouco surpreendente dizer que viajar é uma das principais paixões da Lady-Gazeta. E viajar pode ter tantos significados, companheiros... Na realidade, basta-me um fim-de-semana no distrito mais próximo e já tenho o coração aos pulos!

 

Posto isto, hoje em dia, o Amena assina-se como blogue de viagens que tem, para além de roteiros, dicas de viagem e relatos de aventuras, também apresenta algumas promoções que considero mais vantajosas para quem gosta de viajar sem gastar muito dinheiro. O Amena não compra, nem vende opiniões (hoje em dia é importante referir bem isto!). Aliás, não há empresa que pague o suficiente para me tornar uma vendida. Sou uma careira. Por isso, tudo o que está escrito em todos os cantinhos deste mambo, não passam de experiências minhas (e de quem me acompanha), sem grandes filtros, ao contrário das fotografias que...  Brincadeira. Não há tempo para grandes filtros aqui. 

 

O Amena tornou-se num projeto que muito me orgulha, um hobby muito sério e que me dá alento há mais de quatro anos. Ora, estamos a dois anos de entrar para a escola primária e de aprender a ler!  Bom, no fundo, o que pretendo dizer-vos é que temos tanta, tanta viagem para partilhar pela frente. Fiquem por aí!

 

Obrigada pelas vossas leituras e comentários até agora (sois uns queridos!),

Lady-Gazeta.

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09
Ago18

Avis num Agosto Alentejano

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Passam das 16 da tarde e as ruas do Alentejo fazem uma ode ao silêncio: não se vê ninguém. É fácil de perceber que não estamos junto à costa mais ocidental do nosso país. Estamos no interior, no alto Alentejo, e assim que paramos o carro são as paredes brancas, irrepreensivelmente caiadas de fresco, que nos dão as boas vindas.

Estamos em Avis, no distrito de Portalegre, mas já estivemos em outras terras adjacentes tão aprumadas e bonitas, quanto esta. O sol bate de chapa e aquece, ainda mais, o Agosto Alentejano. As temperaturas são altas e, por isso, nem o sururu das vizinhas entoa pelas ruas de Avis. De vida apenas flores que alegram as entradas das casas e gatos. Os gatos lembram-me as minhas origens, o meu Reguengo. As pessoas foram partindo, mas os gatos foram-se duplicando. Sofrerá Avis da mesma desertificação? Duvido. É bonita demais para serem os gatos a cuidar das ruas e das flores. :)

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Aos primeiros passos pela vila não há duvidas que é um local de história: muralhas altas, empedradas e pintadas como só o Alentejo sabe pintar. Um arco recebe-nos assim que entramos no centro de Avis. Nem o calor nos impede de a palmilhar. Enquanto caminho, pergunto: será que a maior parte das pessoas conhece Avis? Sem resposta, continuo em frente e, nas casas por onde passo imagino o seu interior. Imagino uma cozinha, uma sala e dois quartos no piso de cima. E perco-me... Na cozinha tratam das migas e, nas traseiras da casa, tratam do vinho caseiro. É inevitável não pensar em comida, nem nas gentes da terra, nem na pequena mercearia que a abastece, nem no posto médico, nem na vida feliz que se pode ter também fora das grandes cidades. 

 

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Encontrámos Avis por acaso, sem dicas, tal como se fossemos os verdadeiros viajantes e não turistas. E gostei. Aliás, gostei muito. Pela paz, pela vila pequena e cuidada, pelo sossego d’alma e pelas fotografias que a retina fotografou, mas que a máquina não registou.

 

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Retomando a pergunta menos retórica: não conhecem Avis?

Se não conhecem, deviam.

31
Jul18

Roteiro Pico - São Jorge - Faial

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Pois que é verdade: os ares algarvios tornam-me benevolente e, por isso, partilho com vocês os mapas que usámos para conhecer as ilhas triângulo dos Açores.

Este mapa apresenta o best of das 3 ilhas e são representados os pontos de interesse da região que pretendem eventualmente conhecer: restauração recomendada, caminhadas e "zonas culturais". 

Responde portanto às típicas perguntas:

  • O que fazer no Pico?
  • O que fazer em São Jorge?
  • O que fazer no Faial? 

 

Isto tudo?, perguntam vocês. Exactamente, isto tudo. Para delinear os percursos torna-se mais fácil e, admito, tem sido assim a forma de gestão e planeamento das últimas viagens que temos feito.

 

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Relembrando, o tempo por ilha apresenta-se de seguida:

  • Faial: 6 horas (e, por isso, ficámos-nos pela zona oeste da ilha);
  • São Jorge: 2 dias;
  • Pico: 3 dias (um deles para subir e descer a montanha);

Portanto, este mapa representa apenas o que era possível conhecer de acordo com o tempo que tínhamos disponível. Espero que os Açoreanos (uns queridos!) não fiquem tristes com o Amena, já que pode parecer redutor o que se apresenta aqui. Peço-vos apenas alguma compreensão, uma vez que quando fizemos a mala, esquece-mo-nos de incluir algumas horas extra na bagagem! 

 

Desta feita, deixo-vos o essencial:

 

 

Ah, já me esquecia! Bom proveito! 

24
Jul18

Pico, Açores

lady-gazeta

O barco dava o sinal de partida e o tempo chorava, tal como chorou o tempo todo durante a nossa estadia na ilha de São Jorge. Cá entre nós, eu acho que a ilha chorou pelo pouco tempo que por lá passámos. 

 
Viagem atribulada, mar agitado, enjoos e vento, foi assim caracterizado o nosso percurso de barco em direcção a Madalena, no Pico. 
Comigo levava uma gripe e a esperança de que passasse rápido, já que havia uma montanha por subir, dentro de 2 dias! 

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Assim que chegámos a Madalena, tratámos o que já era habitual: o alojamento, desta vez em airbnb, no Atelier Xavier Ávila. Um apartamento central, limpo e moderno, bem no centro da vila. Depois disto, a rent-a-car, os mapas em papel, as recomendações em maps, no telemóvel. Meia dúzia de estradas principais e lá nos metemos a caminho, já que ainda tínhamos um dia por aproveitar. Começámos por procurar as lagoas, bem no centro da ilha. O nevoeiro fez das suas e, por isso, apenas conseguimos encontrar duas numa estrada repleta delas. Mas, o pouco que vimos, apaixonou-me. Somos fãs de natureza e, por essa razão, demos-lhes a prioridade de primeiro dia. E nisto, enquanto atravessávamos a ilha não havia vestígios do topo da montanha. 

 

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Nesse dia não descobrimos o melhor da gastronomia, já que havia uma gripe para curar. E, não sei se foi das preces, dos comprimidos ou da pressão de ter que subir o pico do Pico, mas é certo que, no dia seguinte, já estava curada. No entanto, não arrastando o tema para o fim do post, é essencial apreciarem a vista e o petisco do Cella Bar (com uma arquitectura supimpa), o Caffe 5 (bem no centro de Madalena) e o Atmosfera (um italiano com uma vista ainda mais maravilhosa sobre São Jorge, por um lado, e a montanha por outro).
 

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Fizemos a volta à ilha, de carro, e encontrámos as paisagens mais rudes das 3 ilhas. Tudo é escuro, tudo são vestígios de lava. As vinhas, património mundial, são o símbolo do Pico. As vinhas crescem entre muros, feitos de rocha e de suor de quem os construía à mão. É de lá que vem o melhor vinho dos Açores e, a título de curiosidade, os muros, servem para evitar a destruição das videiras aquando dos ventos fortes ou tempestades mais fortes. 
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As praias rochosas e igualmente escuras contrastam com as cores das águas, azuis e cristalinas. Visitámos o Cachorro, percorremos lado-a-lado a única pista do aeroporto, fomos ao museu do vinho e da vinha (que vale realmente a pena visitar pois tem detalhes encantadores), encontrámos as casas típicas meticulosamente pintadas de cores fortes que contrastavam com todo o negro à sua volta. Já não era exclusividade desta ilha, mas aqui, estas casas, ganham mais encanto. 
 
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Jardins cuidados, recantos verdes que faziam questionar como é que estas flores nasceram aqui?, miradouros suspensos, pescadores de São Roque, e até grutas, repletas de estalagmites e estalactites, resumem o principal que ocorre à volta do sopé da montanha. 
 

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Inegavelmente, é a montanha mais alta do país que dá o protagonismo a esta ilha. É a montanha que faz prever o tempo para o dia seguinte, que traz o turismo (sobretudo internacional) e que enriquece de nutrientes o solo para o cultivo. A montanha dá vida à ilha e a ilha precisa desta subsistência. Este facto não se discute. Durante as paragens em cafés e restaurantes e até mesmo os locais que passeavam, eram poucos os que arriscavam subir-lhe. Muitos deles questionariam qual o interesse dos turistas o fazerem. Uns loucos. Sem dúvida, uns loucos. Nota-se um profundo respeito pela mãe-natureza, nesta ilha, e por tudo aquilo que ela lhes dá e, a prova disso, é a manutenção das piscinas naturais, das vinhas e, claro dos jardins. Esta manutenção salta-nos à vista e convence-nos a voltar a locais que são assim, zelosos e protectores. 

É uma ilha bonita, charmosa e que devia fazer parte do CV de quem viaja. Não para um típico checked, mas sim para aproveitar o que ela nos dá. No Pico, São Jorge ou Faial, o turismo português é pouquíssimo. Enquanto lá estivemos, no início da época alta, senti-mo-lo bem. Há que aproveitar enquanto as nossas pérolas do atlântico não são descobertas por outrem. Vão. E não se vão, de todo, arrepender. 
18
Jul18

Saal Digital: Análise

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 O Amena (já há algum tempo) apercebeu-se da existência da Saal, empresa de produtos fotográficos, através de anúncios no Instagram. Como somos um nadiiiinhhaa cépticos, resolvemos analisar alguns exemplos bem sucedidos e, só depois, decidimos experimentar.

 

Sempre se ouviu falar do tema de álbuns digitais, é certo, mas a verdade é que nunca me meti em trabalhos do género. Geralmente deixo tudo no digital e é consultado de 20 em 20 anos. Desta vez, aproveitando a viagem aos Açores e as cores maravilhosas que as ilhas nos deixam nas fotografias, percebemos que estas mereciam outro destaque e, por isso, considerámos ser o momento ideal para nos dedicarmos ao álbum.

 

Posto isto, esta análise não é uma análise comparativa, mas sim uma opinião honesta de quem experimentou o software e, claro, a empresa.

Não precisam de chegar ao fim da análise para perceberem que ficámos muito satisfeitos. Adorámos, na verdade! Assim de 0 a 5, vale 10.  A qualidade ficou espectacular e, para vos mostrar o resultado final, apresentamos o best of do álbum aproveitando um bocadinho da Lisboa que temos.

 

Ora vejam:

 

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Acreditamos que há duas vertentes de avaliação: a utilização do software e a qualidade do serviço prestado e, portanto, para a vertente de software, segue a análise: 

 

O software não oferece grandes dificuldades e por isso esqueçam isso de pensar que encomendar um álbum pode ser rocket science. Contudo, sugerimos algumas melhorias (quem sabe algumas que a aplicação já faça e, por isso, perdoem a Lady, que já não vai para nova):

  • Era relevante seleccionar o mesmo padrão de fundo para todas as folhas, de uma só vez. Percebo perfeitamente que é útil, para algumas pessoas, personalizar tudinho. Mas há quem não queira perder tanto tempo com isso.
  • Seleccionar as fotografias com uma perspectiva maior ajudava muito esta pessoa que já não vê assim tão bem. Temos muitas fotografias parecidas (shame) e isso dificultou a selecção da tal foto.
  • Seria também muito útil não ter que instalar a aplicação em Desktop. Por que não uma versão no browser, com um identificador de conta associado? Pensem nisso. 

 Relativamente à qualidade de serviço, estamos muitíssimo satisfeitos. A encomenda demorou exactamente o tempo previsto e, por isso, não houve sequer sobressaltos. Melhor que isso, o álbum chegou quase blindado, sem um risco, uma amolgadela. Nada, nadinha. Parabéns!

 

Se pretenderem saber mais informações sobre o papel que escolhemos, o número de páginas, o tipo de capa, etc, estamos à disposição. Mas só se pagarem bem.

 

Estou a brincar. 

Façam-no à vontade.

 

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 Parabéns Saal Digital!

15
Jul18

São Jorge, Açores

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São Jorge, Velas

 

Faial, detentora de uma beleza indiscutível, foi também vítima da maior das correrias. A sensação de estarmos sempre atrasados só abrandou quando voltámos a entrar no barco, no porto da Horta. Desta vez o checkin para o percurso Horta-Velas tinha sido, apenas, com 20 minutos de antecedência e, assim que percebi que o barco que nos levava até São Jorge era ligeiramente maior e, por isso, mais estável, até suspirei de alívio. Podia, finalmente, descansar, pensei. O dia já ia longo, afinal de contas tínhamos acordado antes das 5 da manhã e, por isso, aproveitaríamos aquele final de dia, durante as próximas 3 horas para dormitar. 

 

Errado.

Tudo errado. 

O pôr-do-sol proporcionava as melhores imagens das 3 ilhas. O céu estava limpo e o mar estava calmo. Era impossível dormir assim. De baleias, nem vestígios. Mas havia mais para procurar. A paisagem é digna de cena de filme e a viagem foi uma oportunidade única para tirar as melhores fotografias a bordo. Revejo as fotografias e tenho vontade de voltar a este momento. Fiz histórias de Instagram, fiz videochamadas para a família. Partilhei, partilhei e partilhei.

 

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 Agora que penso, continuo a ser a mesma miúda de há 10 anos atrás que, sempre que viaja, detém a mesma euforia com coisas que para muitos, são mínimas. Seja aqui, em Portugal, na aldeia mais escondida, como no destino mais vum-vum-vau. 

 

Algumas horas depois São Jorge torna-se mais nítido. E, mesmo a anoitecer, já era possível ver as escarpas e o verde que caracterizam a ilha.

 

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Já passava das 21 horas quando o barco atracou em São Jorge. Um porto bonito, diga-se. Pequeno e acolhedor.

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Não é preciso perceber muito da geografia da ilha para se deduzir que mal atracássemos já estaríamos em Velas, o centro do movimento. 

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Bem-dito, bem-feito. Sem grandes planos, jantámos perto do desembarque, no Velense. Fomos brindados com um delicioso queijo e uma longa conversa com a senhora que nos servia o jantar. Esperávamos mais da refeição, sem dúvida. Mas foi a conversa que convenceu. Brindou-nos com a introdução da ilha, como se lêssemos um livro denominado por São Jorge. Introdução essa que nos fez esquecer completamente que não existem táxis durante a madrugada que nos levassem ao Hotel da primeira noite. Percalços, não é verdade? 

Mas há sempre um amigo, que tem outro amigo que tem um táxi. E cai-me a ficha. Estamos realmente numa ilha pequena. Todos se conhecem. Maravilhoso. Eu gosto destas afinidades. A ilha de São Jorge é pequena, mas oferece diversidade, garanto-vos.

 

Começo por vos falar de alojamentos. Posso?

O primeiro alojamento não foi bem um Hotel. São um conjunto de bungalows muito bonitos. Chama-se Intact Farm Resort e assim que chegámos, numa noite de lua cheia, fomos brindados com uma noite maravilhosa. Raramente escrevo aqui sobre um alojamento. Só quando são realmente bons e que recomendaria a um amigo ou a um familiar muito próximo é que também o faço aqui. Este alojamento é assim um encanto.

 

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 Em boa verdade, em termos de alojamentos, esta ilha surpreende. Se por um lado optámos por ficar num alojamento fancy. A segunda noite optámos por ficar numa casa partilhada, em Guesthouse. Nada a ver, lady-G, dizem vocês. Concordo, nada a ver. Duas experiências diferentes, mas ambas espectaculares. Ficar na casa da D. Bernardete foi receber o pequeno almoço dos Deuses, com produtos exclusivamente regionais e também as melhores dicas da ilha. Foi a primeira vez em Guesthouse e sabem que mais? Adorei e adorámos a experiência. Portanto, se vão com um espírito aberto, poupado, e sem grandes questões no que toca a partilhar espaços comuns, devem visitar a D. Bernardete, na Urzelina Guesthouse.

 

O tempo, no primeiro dia, e a minha gripe foram os adversários da boa disposição, mas a ilha, ainda assim, fez xeque-mate da secção Must See do nosso país. Não há escarpas, nem fajãs como lá. Nem queijo. Nem atum de Santa Catarina.

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Por falar em comida, pára tudo. Parou?

Parou mesmo?

É impensável descrever a estadia em São Jorge sem referenciar um restaurante ímpar da ilha: Fornos de Lava, em Velas.

A simpatia, a comida deliciosa e a vista, tudo com avaliação máxima num só restaurante. 

 

Se para além de bons garfos, também são amantes de trilhos e/ou caminhadas? São Jorge é uma ilha rica em trilhos, alguns deles incluem cascatas mas, infelizmente, não fizemos nenhum deles, porque o tempo não colaborou. Se, por outro lado, são do turismo do mapa de papel nas mãos, aventurem-se pelos caminhos que vos levam para a cordilheira central. Não há rede. É, por isso, ainda mais fácil aproveitar.

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Desta ilha esperem encontrar uma larga exploração agro-pecuária e, desta forma, o único engarrafamento que irão encontrar são vacas em pasto... nas estradas! Recomendo-vos cautela, já que em dias de nevoeiro cerrado há manadas mais afoitas que outras.

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Se pretendem levar recuerdos, queijo e atum de São Jorge são o best-seller e podem encontra-los, devidamente embalados, na Cooperativa da Beira (está a ver Dona Bernardete? Dicas de amiga. ).

 

 

Companheiros de viagem, segue um rasgado elogio a esta ilha no que toca à simpatia dos seus habitantes. Mesmo que esta ilha fosse completamente desinteressante, a hospitalidade que ostenta faz-nos ficar e, para quem parte, dá vontade de regressar. Quanto a nós, já sabem que nos comprometemos a voltar. É impensável não conhecer aquela cascata, que beija os pés à Fajã de Santo Cristo.

 

 

Será, sem dúvida, um até já!

 

 

A Lady-Gazeta

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