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Amena Cavaqueira

O Amena não tem o melhor nome para blogue de viagem e lady-gazeta não é o nome de autor mais credível para uma blogosfera de gente séria, mas estamos bem com isso. Somos sempre mais do que bons viajantes e bons nomes.

Amena Cavaqueira

O Amena não tem o melhor nome para blogue de viagem e lady-gazeta não é o nome de autor mais credível para uma blogosfera de gente séria, mas estamos bem com isso. Somos sempre mais do que bons viajantes e bons nomes.

01
Out18

Irlanda: De Dublin a Belfast

lady-gazeta

A última vez que tínhamos estado em terra faziam perto de 30º graus e, assim que aterrámos, foi o ar gelado que deu as boas-vindas.

O sol surpreendeu-nos num país que se diz chuvoso. Teríamos nós aterrado no país previsto? 

Bom, na verdade, Dublin não mentia: os campos verdes e as casas baixas já eram visíveis pela janela do avião muito antes de aterrarmos. 

 

Temíamos um tempo chuvoso e, por isso, fizemos dois planos antes de partirmos para o périplo Irlanda: alugaríamos carro (se o tempo fosse inexplicavelmente bom) ou, pelo contrário, com um tempo invernoso ficaríamos somente pelo centro da cidade de Dublin. Se por um lado aproveitar as paisagens e os arredores das grandes capitais foi e é sempre um dos nossos objectivos com um tempo agradável; conhecer museus, seria o plano B, enriquecendo-nos, por outro lado, de cultura.

 

Na verdade, foi o sol que decidiu o nosso percurso para o primeiro dia: mesmo antes de conhecer Dublin, dirigimo-nos à Europcar, no aeroporto, onde terminámos o aluguer do carro (um simpático Skoda) e prosseguimos viagem até à Irlanda do Norte. 

Para quem sabia do nosso plano, os mais conhecedores da Irlanda, ouvia-se um Vocês são malucos, em surdina.

E com alguma razão.

 

Pela frente tínhamos mais de 200km e um volante à direita. Não ficámos surpreendendidos. Mentalmente já levávamos alguma preparação, mas nenhuma experiência neste tipo de condução. Contudo, o A, amante de carros, preocupou-se tanto com a questão como eu me preocuparia se tivesse que ficar 2 horas às compras. É uma questão de prática e de concentração, dizia ele. Já eu não dizia o mesmo. Quem teve mais dificuldades em adaptar-se provavelmente até fui eu, pois fui os primeiros 100 km a travar e acelerar, como se eu, à esquerda, estivesse a conduzir! Bom, de facto uma questão de hábito, como o A disse... mas muitas horas depois, para mim!

 

A viagem faz-se bem. As estradas são boas: largas, com bermas evidentes e cuidadas. Apenas os limites de velocidade são mais apertados. Entrar pela rotunda pela esquerda ainda me dá um nó no estômago, admito, mas garanto-vos que a sinalização ajuda muito na técnica de evitar acidentes. 

 

Por sorte, raramente choveu e as paisagens, não querendo ser injusta para nenhuma das regiões, são muito semelhantes aos nossos Açores. Cheira a pasto e as ovelhas acompanham toda a paisagem assim que nos afastamos da capital. Contudo, são as casas que diferenciam a paisagem. As casas, companheiros, são uma ternura. Cada uma delas fazia lembrar aquela a mansão que eu, quando era miúda, sempre sonhei para a minha Barbie favorita. Os jardins, ao redor das casas, são cuidados, floridos, limpos e as janelas têm cortinados que nos remetem aos anos 80: bordados, brancos e geometricamente enquadrados com as janelas.  E ficam tão, mas tão bem.

 

Enquanto o conta-quilómetros rodava, as rádios locais tocavam os hits dos nossos verões de 90. A combinação entre a música e a paisagem levava-me a um passado muito pouco longínquo e quase familiar. A paisagem, repito, podia realmente ser a nossa. A intenção era chegar à costa norte, mas acabámos por aproveitar o que fomos encontrando. (Começamos a ser muito bons nisto, modéstia à parte.) Se a intenção era conhecer a ponte suspensa e uma paisagem geológica pintada de rochas hexagonais, acabámos por ficar pela Capital da Irlanda do Norte, em Belfast.

No reboliço de prédios de vários andares, formatos, nem sempre enquadrados está a cidade que quase nos fez acreditar que estaríamos em Londres. Belfast é completamente cosmopolita; o oposto do que encontrámos em Dublin. As ruas carregavam gente, festa, frenesim e o trânsito era somente a representação de tudo isto. Houve vontade de ficar. Mentira: houve muita vontade de ficar. Nunca se promoveu muito este destino e eu não compreendo. Tem costa, tem história, tem arquitectura e tem mais.

 

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 Museu do Titanic

 

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Ópera

 

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Ruas de Belfast

 

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 Ruas de Belfast

 

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 Ruas de Belfast

 

Acabámos por encontrar, por entre estradas principais, uma jóia que a natureza edificou:

 

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 Natural Trust

 

Gostava de ter ficado mais tempo, para poder absorver um pouco mais da cidade e de tudo. Talvez para uma próxima vez, certamente.

 

Já a noite se debruçara sobre o dia quando iniciámos o caminho de regresso a Dublin. Durante o percurso assistimos ao que antes estava ainda adormecido: os pubs enfeitados com letreiros de néons. Neles, estou certa, prosperavam as festas tradicionais de uma sexta-feira à noite. Podia, de antemão, prever os brindes, a farra e a música ao vivo, que as paredes grosseiras ocultavam. 

 

A viagem, embora cansativa, não desafiou as nossas forças. Ao chegar a Dublin, perto das 23h as ruas transmitiam ainda a energia de uma cidade emergente. Belfast e Dublin em nada se comparam: as casas da maior capital da Irlanda são baixas, num estilo muito particular, ao contrário dos quase-arranha-céus que emergem em terras de Titanic. No fundo, o que tínhamos visto pelas estradas que percorremos são apenas pequenas representações da night life de Dublin. Chegámos ao nosso quarto, alugado em Airbnb, nos arredores da cidade, e foram os edifícios da Google, mesmo ao lado de casa, que nos alertaram que estávamos na sede das  grandes empresas de Tecnologia, em Dublin. Touché.

Se pretendem ficar a dormir perto do centro e sem gastar muito dinheiro (e aqui o muito é relativo - já que todos os alojamentos são caros) recomendo o local onde ficámos. É limpo, fomos bem recebidos pelos seus hóspedes, é quente (estavam 10ºC na rua) e moderno. A maior desvantagem é o ruído de outros quartos, mas se não for problema para vós, está perfeito!

 

Apesar da noite já ser considerada longa, por lá, foi no pub mais próximo de casa que acabámos por petiscar. E beber a nossa primeira Guiness, aproveitando a mística de um ambiente de Pub

 

As primeiras impressões, adianto-vos, foram também as últimas: um destino excelente para um city break. 

Preparem-se para conhecer mais sobre Dublin no próximo post.

Fiquem por aí! 

 

A Lady-Gazeta

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